“Eu sempre soube que eu adotaria uma criança”

October 14, 2016

 

Confira abaixo a história de AMOR da Sueli, mãe adotiva do Diogo, que passou pela ONG Amamos.

Quando você teve a vontade de adotar uma criança?

Havia muito tempo que eu tinha vontade de adotar uma criança e tomei a decisão depois que eu estava com a minha situação financeira e profissional estável. Isso faz 3 anos. Entrei em contato com a Vara de infância, preenchi a documentação, esperei basicamente 2 anos e, em 2015, conheci meu filho Diogo. Dentro de 1 mês começamos o processo de adaptação.

Foi amor à primeira vista?

É engraçado perguntar isso, né? Porque eu não sei o que acontece com todos os pais, mas a primeira vez que eu conversei com um pai adotivo ele falou: “Quando vi minha filha descendo as escadas eu a reconheci”.
Na hora eu pensei: Balela, né? Porque eu não sou do tipo sentimental, nada disso!
Mas eu lembro até hoje do Diogo chegando. Nos encontramos pela primeira vez em um parque em Osasco – SP. Ele foi se aproximando, eu olhava, e quando chegou mais perto falei: É ele!

Existe um reconhecimento. É um encontro que imaginamos que já havia acontecido e na verdade acontece naquele momento. Até mesmo as cartinhas que trocamos antes do primeiro encontro são especiais. É um namoro a moda antiga, que começa por carta e depois de um tempinho que rola o encontro. Entre a primeira carta e o encontro, demorou mais ou menos um mês.

Você conhecia a história do seu filho?

O que acontece é assim: a assistente social faz diversas pesquisas nos cadastros e depois vê se o seu é compatível e liga falando: “Olha tem uma criança desse jeito, você quer conhecer a história?”.
Então a assistente social conversa com os pais adotivos, conta a história de vida da criança, sem esconder nada, para depois ver se desejamos continuar ou não. Uma coisa também é o perfil; ela conversa bastante sobre isso para não ter devolução, pois as crianças não são mercadorias. Sei a história do meu filho por completa!

Você está com ele há quanto tempo?

Vai fazer um ano.

Como foi o primeiro mês com ele na sua casa?

O primeiro mês foi muito tranquilo. Foi só brincadeira. Ele começou a ver novas pessoas a todo o momento, então era festa quase todos os dias. Foi o momento de inseri-lo e apresentá-lo aos meus familiares e amigos mais próximos.
No segundo mês foi quando ele começou a ver que não voltaria mais a morar no abrigo. Nesse momento tiveram alguns estranhamentos e as primeiras birras. Mas a assistente social e a psicóloga do fórum deram todo o apoio.

Quantos anos ele tem?

9 anos

Você já queria uma criança mais velha?

Primeiramente eu queria uma criança de 6 ou 7 anos, mas deu tudo certo com ele. Tá sendo ótimo!

A maternidade não é fácil, mas eu decidi viver isso no momento certo. Meu filho chegou na hora certa – Sueli

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Você viu alguma mudança nele nesses 11 meses que estão juntos? Ele sente falta de algo ou alguém?

O Diogo tem dois irmãos que moram na ONG Amamos. Eu sempre procuro trazê-lo para visitar os irmãos para não perder o vínculo familiar que é muito importante. O que ele sente falta é da movimentação e dos amigos que têm aqui. São muitas crianças e sempre estão brincando. Ele cresceu aqui!! O Diogo chegou na Amamos com 1 ano de idade e saiu daqui com quase 9 anos. Então o que mais faz falta para eles são dos irmãos e amigos que ele não vê mais todos os dias. Meu filho é muito carismático e acaba se apegando muito rápido com as pessoas. Mas ele não sente falta de morar aqui, mas sim dos amigos que fez durante esses anos todos vivendo na ONG.

Para você o que mudou?

Mudou tudo e até a minha rotina que não tenho mais. Sou mãe de primeira viagem! O amor cresce e as responsabilidades também crescem e com isso vejo o mundo de uma nova maneira. Quando crescemos, nos esquecemos de alguns detalhes e percepções que tínhamos quando criança. Com um filho, isso é resgatado com um olhar diferenciado em relação a algumas coisas. Voltamos a ser mais sentimental e ter apreço pelo próximo.

Quando levei ele pela primeira vez para dar uma volta no centro da cidade ele viu alguns moradores de rua e perguntou: “Por que eles estão dormindo no chão e nesse lugar sujo? Por que estão pedindo comida?” Ele tem um olhar puro e de compaixão com toda aquela situação. Ele trouxe esse olhar de compaixão de volta para mim.

Qual a sua relação hoje com a Amamos?

Eu venho sempre para visitar os irmãos do meu filho. Eu sou uma visita.

O que você pode falar da Amamos?

Foi o lugar que cuidou do meu filho por 8 anos. Eu vejo a ONG como um lugar muito importante para as crianças que estão precisando de acolhimento. O que eu percebo aqui é que eles procuram acolher de uma maneira tão intensa… São festas, passeios, várias outras coisas que em um ambiente normal e tradicional acaba não ocorrendo com a mesma frequência. Esse amor que eles depositam em cada criança é genial. Faz a diferença!

O que você diria para as pessoas que não conhecem o trabalho da ONG?

O trabalho da Amamos é muito importante para o desenvolvimento de todas as crianças. A preocupação que eles têm com o desenvolvimento mental de interação social e educacional é muito grande. Quando cheguei aqui conversei com a psicóloga e a pedagoga da ONG e fui acolhida de uma maneira muito carinhosa. Isso foi importante até para interação com meu filho. Principalmente no primeiro mês.

Como foi o 1° dia das mães?

Não sei como dizer! Foi muito estranho receber o presente, carinho…. O que eu achei muito engraçado foi que até chegar no próprio dia das mães ele não tinha o conhecimento do que era. Ele está aprendendo agora o que é uma família de fato. Então teve a festinha na escola e ele não sabia que estaria lá e que participaria das atividades na escola naquele dia. Depois disso, ele começou a dar conta o que era o Dia das Mães. No domingo que eu levei para a casa da minha mãe, ele olhava tudo com um olhar de surpresa e via a troca de carinho e os parabéns pelo dia das mães.

O que mais te marcou durante esse UM ano que vocês estão juntos?

Teve um dia que ele acordou do nada e falou que me ama. Esse dia foi muito especial para mim! Mas o que mais chamou a minha atenção foi quando coloquei um pijama nele e vi que faltava um palmo para ele perder. E quando o Diogo chegou pela primeira vez aquele pijama era enorme nele. Eu fiquei pensando: “Nossa como está crescendo rápido. Agora ele está construindo uma nova história a cada dia”.

E ele na escola?

Ele é bastante carinhoso e está tendo algumas dificuldades. Ele estuda numa escola que exige um pouco mais e como ele ainda está aprendendo a ter noção do tempo às vezes ele fica perdido na lição. Mas está avançando.

E chegar em casa e encontrá-lo?

A melhor sensação de chegar em casa é encontrar ele lá! Meu coração bate mais forte!

É bom ser mãe?

A experiência vale muito a pena. A maternidade não é fácil, mas eu decidi viver isso no momento certo. Meu filho chegou na hora certa.

Qual o maior desafio?

Eu nunca tive dúvida que daria certo. Mas todo dia penso: “O que eu posso fazer de melhor para transformá-lo em uma pessoa saudável para conseguir orientá-lo de maneira que ele consiga atingir o máximo do potencial esperado?”. Eu me preocupo todo dia com isso como torná-lo um adulto saudável e feliz. Esse é meu maior desafio.

Por que você decidiu pela adoção? Tem alguma questão pessoal? Por que não um filho biológico?

Eu sempre soube que eu adotaria uma criança. Eu não sei explicar o motivo! Eu sou solteira e chegou o momento de eu ter meu filho. Eu não tenho namorado. Hoje entre ter o filho ou adotar eu fui pelo caminho que eu achei melhor que era a adoção, pois adotar ou ter um filho biológico não tem muita diferença na minha mente. Foi uma decisão
É claro que ter um filho biológico envolve 9 meses de gravidez, bebê pequeno, fralda, mamadeira e isso sozinha é um desafio maior. Tanto que eu sempre quis uma criança maior.

E a família?

Eles me apoiaram desde o primeiro momento. Sempre tive apoio deles e eles sempre estiveram ao meu lado.

E você não tem medo de passar por algum tipo de rejeição por ter tomado a decisão de adotar?

Para mim isso é indiferente, eu sou uma mãe que vive sozinha com um filho como tantas outras que tem. Se eu tiver algum tipo de rejeição será igual a outras mães.

Ele mudou a sua vida?

Mudou bastante. Eu era solteira, morava sozinha e agora tem ele comigo para eu cuidar, orientar, procurar médico, levar para a escola e ajudar na lição de casa.

Qual a parte que você mais gosta?

Os passeios no parque.

Sobre os irmãos dele como ele encara essa distância?

Ele vê numa boa. Eu já pensei em adotar os irmãos no passado, mas fui orientada pela psicóloga da vara de infância a ir até onde minha perna alcança. Não tomar nenhuma atitude precipitada.

Eu encaro numa boa ele ter outros irmãos e venho aqui e brinco com todos, mas ter um outro filho agora para mim é muito difícil.

O que você falaria para uma pessoa que quer adotar, mas tem medo?

Eu diria para não ter medo e encarar de coração aberto, pois o que uma criança tem para oferecer para gente é muito grande. Ultrapassa qualquer barreira e desafio.

Desde o início ele te chama de mãe ou teve alguma barreira?

Não teve barreira, porque ele já tinha muita vontade de ter uma mãe. O que eu percebi nas primeiras visitas é que ele não sabia como poderia me chamar: se de mãe, Sueli ou tia. Mas foi natural.

Em uma palavra, qual foi a maior experiência vivida com o seu filho nesse UM ano?

AMOR

 

Fonte: http://www.agindobem.com.br/eu-sempre-soube-que-eu-adotaria-uma-crianca/